sexta-feira, 30 de julho de 2010

E se as coisas não fizerem mais sentido? .-.

As vezes eu penso nisso, o dia inteiro. Um dia inteiro onde nada faz muito sentido, sabe?
Um dia em que eu faço perguntas sem respostas, em que eu rabisco coisas numa folha em branco, essas coisas sem sentido que a gente rabisca na última folha do caderno em dia de aula chata sem prestar muita atenção... Um dia em que eu me deixo levar inconcientemente pelas músicas estranhas que eu resolvi escutar de bandas internacionais e desconhecidas... Um dia onde qualquer barulho que me tire da minha nostalgia me incomode. Um dia em que a minha paciencia só existe no mundo que eu criei na minha cabeça. Aquele dia que eu não tenho cabeça pra mais nada que não seja pensar nas minhas perguntas absurdas sem respostas que não vão me levar a lugar nenhum, que só vão me levar ao fim do dia.
E no fim de tudo, no fim do dia, nada fez sentido algum.
Talvez procurar o sentido não faça sentido. Mas é só um talvez, não disse que é, ou que não é, não tenho certeza de nada. Mas mesmo que eu não tenha certeza, há riscos de ser isso mesmo e se for, então corremos o risco de estarmos deixando as coisas totalmente sem sentido por estarmos procurando o sentido delas? Na verdade, é um outra pergunta sem resposta, que está me fazendo procurar sentido e me perder mais... E eu confesso que desisto. Por hoje.
Eu sentei ao seu lado e nada mais existiu além de você...
Eu me lembro que foi assim, sempre foi assim desde que eu te encontrei pela primeira vez...
O ar me fugiu dos pulmões e eu senti meu coração acelerar. Sabia desde esse momento que você seria a minha maior razão pra ser completamente feliz, que era você que eu queria pro resto da minha vida. Eu não via nada além do seu olhar, não sentia nada além das suas mãos nas minhas e não ouvia nada além da sua respiração quebrando o silêncio.. Perfeito pra mim, ou não; Destinado a mim, ou não.. Eu nunca me importei, pois sempre soube que era você que eu queria e pronto, mesmo que não estivesse escrito nas estrelas, mesmo que você fosse a metade do limão e eu fosse a metade da laranja, nada disso importava pra mim. Porque o meu coração sempre quis amar você e eu fiz de você o meu encaixe perfeito. 




segunda-feira, 5 de julho de 2010

Perfeitos um para o outro.




Em um bairro estável do Rio de Janeiro, encontrava-se Juliano, um rapaz de classe-média, inteligente, bonito e cheio de amigos.
Entre esses amigos estava Cecília, sua melhor amiga.
Os dois juntos eram autores de uma bela e antiga amizade.
Mas havia um problema... Juliano há alguns anos, havia percebido que gostava de Cecília mais do que como simples amigos que eram.
Ele nunca teve coragem de contar a ela sobre isso. Tinha medo que ela não o amasse também, ou pior, que ela se afastasse dele completamente dando fim até a amizade.
Com o passar do tempo Juliano se sentia mais apaixonado, pensando somente no dia em que ela se declararia pra ele... Mas o tempo foi passando e Cecília não se declarava.
Assim Juliano se conformou em desempenhar somente o papel de um bom e fiel amigo...
Ele a viu se formar, a viu realizar seus sonhos, a viu namorar vários homens diferentes (em sua opinião todos ruins demais pra ela), e a cada dia que passava, a cada decepção que ela sentia, ele tinha mais certeza de que só ele a faria feliz.
Seus amigos o aconselhavam a abrir o jogo com ela, mas ele insistia em dizer que ela fugia sempre que ele chegava para ter uma conversa mais séria, como se prevesse o que ele iria falar.
Um dia, quando ficaram sozinhos ele até tentou falar sobre seus sentimentos,afinal, que oportunidade melhor ele teria? Mas ela insistia em ir embora, arrumava desculpas bobas, dizia que estava tarde...
Então ele deixou que ela fosse. Arrependeu-se depois, tentou ligar, pedir pra ela voltar, sabia que não teria a mesma coragem num outro dia... Só dava caixa postal. Decidiu então que não falaria, que nem tentaria...
E se a fizesse sofrer com a revelação? Mas e se ela também o amasse? Não! Isso era impossível, ela o via só como um amigo, que tolo seria se contasse... Ela riria no começo, depois quando entendesse que era verdade, sentiria pena, se afastaria... Ele preferiu continuar no "se" a contar a verdade, preferiu viver na dúvida, cada dia mais apaixonado, mas ainda sim desencorajado.
Uma tarde Cecília bateu a porta de Juliano, tinha ido dar a noticia, de que finalmente no seu emprego de jornalista tinham pela primeira vez lhe dado uma matéria que valia a pena. Eles passaram a tarde comemorando e ao anoitecer Cecília tinha de ir embora, afinal seu vôo seria no outro dia de manhã...
Despediram-se com um abraço forte e Cecília disse que uma semana depois, quando voltasse queria conversar muito sério com ele. Mal sabia ele que ñ teria conversa alguma...
No dia seguinte Juliano recebeu um telefonema, com a triste noticia de que Cecília havia falecido, em um acidente de carro, na noite anterior quando voltava da casa dele.
O enterro seria no fim de tarde daquele mesmo dia.
Juliano sentiu as mãos arderem, os olhos se encherem de lágrimas, sentiu o chão sumir... Sua vida não tinha mais sentido... Era como se uma faca atravessasse seu peito.
Ele não tinha mais vontade de nada, mesmo assim foi ao enterro, queria ve-la pela última vez...
Um mês depois, a mãe de Cecília bateu a porta de Juliano. Disse que ia se mudar, e que estava encaixotando as coisas de Cecília quando achou seu diário em baixo do colchão de sua cama e pensou que ele gostaria de ter uma coisa que havia a pertencido.
Ele agradeceu, se despediu e quando ela foi embora resolveu abrir uma página do diário para ler.
Sentou-se e abriu em qualquer página e lá estava escrito...

“25 de março de 2007

Hoje eu e Juliano ficamos sozinhos, achei que seria uma ótima oportunidade pra falar de meus sentimentos... Mas que idiota eu sou... Amar o meu melhor amigo? Pior! Querer contar a ele? Só eu mesmo...
Ele riria de mim, sentiria pena, se afastaria... Ainda bem que eu desisti. Tive que fugir, mais uma vez, pois se continuasse ali eu não iria me conter e lhe daria um beijo. Não disse hoje e não vou dizer nunca!
Mas o que fazer com isso que eu sinto? Que cresce a cada dia? O que fazer?
Eu o amo tanto! Por que ele não pode me amar também? Seriamos tão felizes... Perfeitos um para o outro..."

Juliano não acreditava no que lia. Como pôde ser tão idiota? A fez sofrer, nunca disse nada a ela sobre seus sentimentos, e ela sempre o amou... Ele se odiava por isso.
A partir daquele dia, com a culpa que sentia, não fazia mais nada a não ser esperar pela morte, pelo dia em que a encontraria. Viveu seus últimos dias angustiado, quando finalmente morreu. Mas antes disso ele fez questão de escrever uma história, tendo como último desejo publica-la em todas as partes do mundo.
Essa história era sobre um cara que amou apenas uma vez, uma mesma mulher, com a mesma e enorme intensidade, e que cometeu o erro de omitir isso dela por medo, e por esse mesmo medo a perdeu junto com toda a sua felicidade sem ao menos ter tentado.
No fim dessa história, havia uma mensagem, quase uma súplica do autor, que dizia:

“Diga, diga tudo. Não tenha medo, disso pode depender a sua felicidade ao lado da pessoa que você tanto ama. Se dê uma chance de ser feliz e de fazer feliz. Não espere mais. A sua chance pode ser arrancada de você da forma mais brutal a qualquer momento. Não espere que isso aconteça. Vocês podem ser perfeitos um para o outro, como eu tenho certeza que teria sido pra ela.”